sábado, agosto 28

Salvando uma alma - Parte 4





No dia em que fiz 16 anos

Não dá nem para acreditar. Dois dias se passaram muito rápido e hoje é o dia em que meus novos amigos vão dormir aqui. Me arrumo e desço para o café da manhã.
- Bom dia família! - falei
- Bom dia, filho. Feliz aniversário! - diz meu pai
- Parabéns, meu filho. Já convidou seus colegas?
- Já sim, mãe. Eles vão dormir aqui em casa hoje, viu?
- Claro. Ótima idéia. Eu e seu pai vamos que ter ir a um jantar do escritório em Salvador. Vamos dormir por lá hoje, então, fique comportado com seus amigos viu? Nada de bagunça.
- Tá mãe, pode deixar.
Eu estava feliz. Queria poder apresentar meus amigos para eles, mas oportunidades não faltaram.
Ao chegar à escola, fui direto para sala. Não avistei Job e nem Mily. Achei meio estranho, mas tudo bem. Sabia que eles iriam aparecer. Passaram-se os quatro horários e nenhum dos dois deu sinal de vida. Fiquei preocupado. Não tinha o número do celular deles então, quando um garoto de minha sala passou em minha frente para sair dela, perguntei:
- Oi, você viu Milena e Julio?
- Desculpe, mas... eles estudam conosco?
- Sim, sim. Milena é loira do cabelo liso, magra, branca e anda com um menino chamado Julio, ele é moreno, um pouco forte...
- Olha – me interrompe o garoto – não conheço nenhum desses dois, será que você não está errando de sala?
Parei um pouco para pensar. Como será possível, talvez este menino não tenha vindo aos quatro primeiros dias de aula. Mas enfim, fui buscar mais informações na coordenação. Quando cheguei, perguntei a coordenadora Cibelle se ela saberia dizer o porquê dos meus amigos não virem hoje. Ela procurou em suas fichas eletrônicas e disse que eles haviam pedido uma transferência. Transferência? Mas nem me falaram nada. Pedi informações do colégio para onde eles iriam, mas ela disse que estava muito ocupada para pesquisar naquele momento e que eu poderia deixar o meu número de celular que ela ligaria. Saí da sala preocupadíssimo. Não queria que eles fossem embora da escola, gostava muito de suas companhias e ainda tinha meu aniversário às 17h. Será que vão aparecer?
Terminei meu dia de aula desgastado com a notícia triste que recebi, mas mesmo assim, fui para casa, pensando em meus colegas e no bolo de chocolate mais gostoso do mundo. Tá, eu acho que não contei da parte que sou FACINADO POR BOLO DE CHOCOLATE. Cheguei da escola já eram dezesseis horas e quarenta minutos. Tomei meu banho rápido na esperança de ainda rever Mily e Job. Quando saio do banho, me olho no espelho. Fico muito tempo me encarando. Nossa, eu sou gato demais! É, não precisa me dizer nada, eu sei que sou convencido, até demais.
- Opa...espere, espere! Acho que avistei alguma coisa aqui, – estava com o braço direito suspenso para o espelho – é grande e fina. Ah...um fio de cabelo. Muito obrigado meu Deus, eu tenho cabelo em meu sovaco. Muito obrigado, é o melhor presente que já recebi.
Tá, eu entendo. Uma pessoa normal não ficaria tão feliz como eu, mas poxa, eu esperei 16 anos da minha vida por este momento, então, continue lendo esta história.
Terminei de me arrumar e descer. 17h10min. Ficava cada vez mais ansioso pela presença deles. Tomara que venham. Toca a campainha. Olho no olho mágico e para minha surpresa Job e Milena.
- Que bom que vocês vieram. - falo e cumprimento os dois. – Eu soube que pediram transferência da escola, né? Por quê?
- Bem, – fala Mily – Na verdade...
- Ah... minha mãe fez um bolo de chocolate.- interrompo - Vamos comer!
Na minha imensa alegria, não deixei Milena completar a frase.
Chegamos na cozinha e coloquei o bolo sobre a mesa. Cantamos parabéns e fiz meu desejo. Quero nunca ter que mudar de cidade. Distribuir uma fatia para cada.
- Rodrigo, na verdade viemos aqui para...
Neste momento, meu celular que estava no sofá da sala toca e interrompe Job.
- Licença aqui gente! – saiu em direção ao sofá, atendo ao telefonema.
- Oi, quem fala?
- Aqui em Cibele. A informação que você pediu dos garotos já tenho.
- Ah... bem lembrado. Eu já tinha esquecido. Eles estão comigo agora. Acho que não vai ser mais necessário.
- Eles estão com você?
- Sim, estão!
- Mas o que consta aqui na fixa, é que Júlio Bastos pediu uma transferência na década de 70 e Milena Carvalho fazia parte da mesma turma, a primeira do colégio. Será que você não está enganado?
O silêncio e o medo me tomaram por inteiro. A coordenadora ainda falava no celular, mas fiquei mudo, sem reação. Quando olho para trás, Milena e Julio estavam em pé a cinco centímetros de distância de mim. Eles me olhavam fundo. Havia algo a ser revelado nesta noite.

quinta-feira, agosto 26

Flores - Banda Eva

Já me feri
No espinho daquela flor
Já lhe dei beijos
Que marcaram nosso amor
Queria ser Romeu e Julieta
No passado
Um sonho épico
Que eleva o ser amado, meu bem
Lhe dei amores
Venci rumores
Dessa moçada careta
Que não quer saber de amar, porém
Me dê amores
Venci rumores
Dessa moçada careta
Que não quer saber de amar, porém
Nunca amei ninguém
Mas você é quem
Eu que ando criando em meus sonhos
Castelos de areia
Nunca amei ninguém
Mas você é quem
Me afogava no mar
Da ilusão
Sou sua sereia
Já lhe dei flores,flores,flores
Que brotaram em meu jardim
Você brincou de bem-me-quer
Mal quer saber de mim

domingo, agosto 22

Salvando uma alma - Parte 3



Clubinho

Arrumei-me, tomei meu café e fui para o carro. Minha mãe, como sempre, estava a minha espera.
Ao chegar na escola, me deparei com Mily e um amigo.
- Digo, este é meu amigo Julio Bastos, mas pode chamá-lo de Job. - disse ela
- Oi, tudo bem? - perguntou o menino que parecia ter uns 16 anos.
- Tudo bem!
Algo me parecia estranho, muito estranho. Não lembrava de ter dito a Mily o meu apelido. Mas enfim, seguimos conversando sobre a vida até a chegada na sala.
Soa o sinal da primeira aula. Estamos sentados um atrás do outro, eu, Milena e Job respectivamente. Aula de biologia. Nossa! Falar em plantas uma hora dessa da manhã ninguém merece. Acabei pegando no sono os dois horários consecutivos da matéria. Em seguida, seria matemática, mas o professor teve uns contra tempos e não pode comparecer, ou seja, terceiro e quarto horário vagos. Melhor que estar com Mily era não assistir aula de matemática e estar com Mily. Acho que acabei me apegando muito a ela! Como é costume, o auxiliar da coordenação do ensino médio fecha a porta da nossa sala e nós ficamos no pátio ou em qualquer outro lugar.
- Vamos ficar nos bancos perto do bloco do ensino fundamental? - pergunta Milena.
- Pode ser! - afirmo.
Job faz que sim com a cabeça e seguimos em frente. Quando chegamos, sentamos no banco e começamos a conversar sobre o nosso dia-a-dia e o mais engraçado era que Mily estava meio preocupada. Descobri que eles tinham perdido o pai e a mãe em um acidente. Pelo que me contaram, foi um incêndio. Mas não sabiam a causa de tal ocorrido e não me falaram onde foi o local. Eu também não perguntei, sabia que não era conveniente de minha parte fazer uma pergunta dessas. Senti-me apertado por dentro. Coloquei-me em seus lugares e não saberia o que seria de minha vida sem meus pais. De repente, passaram duas meninas e olharam para mim como se talvez estivessem me achando lindo. Será que me acharam atraente? Estou com a bola toda!  Espero não estar enganado.
- Digo...você mora com seus pais? - pergunta minha amiga.
- Sim.
- Sorte sua não sentir a dor da perda. - fala meu novo colega.
- É, eu sei que não é fácil não termos conosco pessoas que amamos e as únicas que nos amam.
Paro um pouco e penso. Acho que eles não precisavam dessas minhas palavras. Mas tudo bem, já disse. Eles não pareciam tão ligados ao que eu disse, mas a expressão de preocupação no rosto de Milena ainda continuava.
- Mily, está acontecendo algo com você? - perguntei.
- Comigo? Bem... sabe quando a gente cansa de viver e pede para morrer? Quando sabemos que a vida não é nada comparado ao que realmente existe e sentimos a necessidade de ser feliz custe o que custar. E sabemos que para seguir nossos caminhos é preciso mover uma enorme pedra, tão grande que perdemos sua metragem. É isso o que está acontecendo comigo.
Julio abaixa a cabeça como se estivesse passando pela mesma coisa, aliás, ele está. Perderam seus melhores amigos e hoje estão sós. Não tenho palavras para consolá-los. Passam-se alguns minutos silenciosos e Job me chama para mostrar-me algo. Mily nos acompanha e caminhamos para trás da quadra, um lugarzinho meio que abandonado.
- Está vendo este lugar? – ele aponta para uma porta velha. Ai dentro já fui um clubinho de crianças, mas fecharam por que algumas delas se escondiam para perderem aula. Espertas elas, né? – solta um sorrisinho.
- Sempre tive vontade de participar ou ter um clubinho, mas infelizmente isso nunca foi realizado. - eu disse.
Fiquei imaginando como seria ter minha vontade realizada agora... bem, acho que não seria uma idéia madura. Pareço esquecer que tenho 15 anos.
- Daqui a dois dias será meu aniversário. Minha mãe sempre faz um bolo e diz que posso chamar alguns colegas. Que tal se vocês fossem para meu aniversário e aproveito para apresentá-los aos meus pais? - pergunto.
- Pode ser! - fala Mily.
- Vai ser que horas? - pergunta Job.
- Vai ser as 17h, se quiserem, podem dormir lá em casa.
Como minha mãe não fazia questão de que eu levasse alguém para dormir, achei muito legal a idéia, já que poderia me tornar mais próximos a eles.

sexta-feira, agosto 20

O poeta abandonado

Tento fujir de mim mesmo,
Perseguido por meus inimigos,
Não escondo a raiva,
Desconto em cada conto que escrevo.

E mais que possa dizer,
O poeta abandonado da escadaria não vai viver,
Ele morreu para seus olhos,
Ele não pode respira,
Todo o amor que ele tinha,
Se desfez quando você quis...
Deixa!

Mas haja que houver,
Ele ainda continua a rezar,
Pelo amor que o deixou,
Pelo amor que o deixou.