sexta-feira, outubro 8

Oh! Darling - Marjorie estiano



Marjorie Estiano
Oh! Darling 
(tradução)
Oh! Querida
Por favor, acredite em mim
Eu nunca te machucarei
Acredite em mim quando eu disser
Que eu nunca te machucarei

Oh, querida
Se você me deixar
Eu nunca vou conseguir ficar sozinho
Acredite em mim quando eu te implorar
Pra nunca me deixar sozinho

Quando você disse
Que não precisava mais de mim
Bem, você sabe, eu quase
Me desmontei e chorei
Quando você disse
Que não precisava mais de mim
Bem, você sabe, eu quase
Me desmontei e morri

Oh, querida
Se você me deixar
Eu nunca vou conseguir ficar sozinho
Acredite em mim quando eu disser
Que eu nunca te machucarei

Acredite em mim, querida

Quando você disse
Que não precisava mais de mim
Bem, você sabe, eu quase
Me desmontei e chorei
Quando você disse
Que não precisava mais de mim
Bem, você sabe, eu quase
Me desmontei e morri

Oh! Querida
Por favor, acredite em mim
Eu nunca vou te deixar deprimida

Oh, acredite em mim, querida

Acredite em mim quando eu disser
Que eu nunca te machucarei


Serie: Desabafo nos Bons Tempos 5º


quarta-feira, outubro 6

O mistério da CAIXA - Part 1

 De volta as aulas

  - Pai, mãe, eu já estou indo para o colégio!
  - Certo, filho. - fala minha mãe
  Ah...que falta de educação a minha. Meu nome é Bernardo Carraz, tenho 15 anos. Sou baixinho, hereditário, meu pai Carlos e minha mãe Bruna Carraz também são. Hoje é meu primeiro dia de aula em um novo colégio. Apesar de ser o primeiro ano nesta cidade estou muito animado pelo que me espera. Os comentários da escola Impacto são os melhores. Pode ser que agora, no meio do ano, eu me prenda mais em ficar sozinho, já que todos devem estar com seu grupinho formado, mas nada que o tempo não resolva. Pronto, cheguei. Respiro fundo e sigo em frente pelos corredores de parede metade piso branco e metade pintada de branco. Passo pelo pátio e sigo em direção a sala. Ao abrir a porta, sou logo intimado por um menino que me parecia muito legal.
  - Oi novato, qual é seu nome? disse ele
  - Oi, sou Bernardo.
  - Meu nome é Rodrigo Oliveira, mas pode me chamar de Digo.
  Ele pega na minha mão e antes que eu pudesse dizer meu apelido entram mais 3 pessoas que vem em minha direção conhecer-me. Falo aquele comprimento para todos.
  Sete e meia. Primeiro horário. Aula de redação, não é uma das minhas favoritas. Prefiro literatura, todas aquelas histórias sobre romantismo, uma coisa meio gótica, sóbria... Pra ser sincero, gosto de escutar não de escrever. A professora se apresenta e pede para que eu o fizesse. Bem, não foi só ela que pediu. Os outros 11 professores fizeram o mesmo. Normal, sou “novato”.
  Dez horas e quarenta minutos. Intervalo. Para a minha surpresa, Digo passa os 20 minutos que temos, juntos a mim. Pergunta de onde sou, quem são meus pais, qual bairro moro, se eu estou gostando da escola...todas aquelas perguntas. Já via em Digo uma grande amizade futura. Onze horas. Nossa, vinte minutos passaram-se tão rápido. Fomos assistir as duas ultimas aulas, e para variar, a matéria que detesto: física.
  - Não estou a fim de assistir aula de física. Vamos filar no ginásio? – fala Rodrigo.
  - Você lê meus pensamentos, cara! – solto um sorriso
  Fomos até o ginásio, mas não chegamos a entrar. Ficamos no bando do lado de fora batendo um papo.
  - Sabe, como você já me disse que gosta de história, tenho uma deste colégio para lhe contar...
  - Ok! Sou ‘todo ouvidos’!
  - Pois bem. Alunos desta escola já morreram em um acidente envolvendo fogo...
  - Você quer dizer incêndio?
  - É, isso mesmo. Muitos jovens acabaram queimados por um incêndio até hoje desconhecido por muitos.     Nenhuma pista foi achada sobre o paradeiro do criminoso. Dizem que isso é coisa de uma maldição que jogaram nesta escola.
  - Como assim uma maldição? – pergunto e antes que ele podesse responder o assistente da coordenação vem se aproximando de nós.
  - Venha cá, - Digo me puxa pelo braço - ele não pode nos ver se não conta para a coordenadora que estávamos filando aula.
  Ele me leva para trás do ginásio, onde me deparo com uma porta de madeira trancada.
  - Digo, o que tem atrás desta posta?
  - Ai?! Bem...é um clubinho que existia mas foi fechado.
  - Por que?
  - Porque as pessoas filavam aula pra ficar namorando! – ele soltou um riso
  Um rato passa por meu pé e tomo um susto ao mesmo tempo em que olho para baixo. Enquanto Digo vigiava para que ninguém nos encontrasse eu observei que no chão de terra, logo enfrente a porta, havia uma cordinha fina, porém, me parecia muito resistente.
  - Pronto, venha! Vamos sair daqui. – fala Rodrigo
  - Sim... Sim... Está bem!

Quando tudo parecer grande


Quando se sentir inútil, pequeno, frágil, lembre-se que você é mais do que qualquer mal. Quando a multidão vier te humilhar, jogar pedras, pisotear, imagine que você é um muro com mais de 40 metros, forte e indestrutível. Se alguém disser que você não vale nada, muito menos te por para baixo. E no fundo do poço, quando nada mais fizer sentido, abra novamente os olhos e verás que a luz ainda prevalece, ele é pequena, mas você se sentirá por saber que não está sozinho.

Serie: Desabafo nos Bons Tempos 4º

domingo, outubro 3

O que se fazer quando se sentir sozinho



1) Ouça música, relaxa o corpo e alivia a alma;
2) Toque violão;
3) Leia frases de auto ajuda;
4) Saia de casa e vá para um lugar onde você possa sentar e pensar em sua vida até agora;
5) Vá para a janela e fique olhando para a paisagem; 
6) Escreva em um papel tudo o que você queria que acontecesse contigo neste momento e depois guarde em uma caixa que vc use, aquela para guardar coisas, depois de um bom tempo, você vai abrir esta caixa sem querer e vai encontrar o papel e se lembrar que não vale apena ficar triste por achar que está sozinho, já que ninguém neste mundo está;
7) Se matricule em aulas de artesanato, canto, inglê...no que preferir. Você conhecerá muitas pessoas e quem sabe, não surgirá grandes amizades?
8) Brinque com seu animal de estimação;
9) Converse com seus avós, eles possuem grande sabedoria e muitas histórias, você perde a noção do tempo de tão proveitoso que é;
10) Converse com as plantas, a natureza é uma ótima amiga; 
 

Serie: Desabafo nos Bons Tempos 3º



sábado, outubro 2

Quero poder me misturar a você. Saber o que pensa e no que mais ama. Tirar minhas própias conclusões do que está certo pra você ou errado. Imaginar situações ilusitadas, as quais você trabalha seu corpo, derrama o suor de uma energia sedutora e voraz. Mas se tua sede for maior que tua fome, pode beber todo meu amor espalhado em meus membros. Tremerei de nervosismo mas, chegará a hora que me tornarei um de você e serei grosso. Minhas atitudes te faz suspirar e soltar gritos de prazer. Subir em ti, encostar barriga com barriga, boca com boca, trocar olhares e arrepios. Encontrar o melhor caminho para mim satisfazer e penetrar tudo o que você mais quer e deixar os corpos dançarem ao som do rítmo. Por fim, caiu ao teu lado e minhas energias se vão assim como você.

Serie: Desabafo nos Bons Tempos 2º


Dois é melhor que um



Boys like girl
Dois é melhor que um

Eu lembro o que você usou no nosso primeiro encontro
Você entrou na minha vida
E eu pensei: "Ei, sabe, isso pode dar em alguma
coisa"

Porque tudo o que você faz e as palavras que você diz
Você sabe tudo isso me deixa sem ar
E agora eu estou com nada

Porque talvez seja verdade que eu não consiga viver sem você
Talvez dois seja melhor que um
Há tanto tempo para descobrir o resto da minha vida
E você já me fez ficar sem graça
E estou pensando que dois é melhor que um

Lembro-me de rir, olhando para seu rosto
O jeito que você vira os seus olhos, o seu sabor
Você faz com que seja dificil respirar

Porque quando eu fecho os olhos eu vôo para longe
Eu penso em você e tudo fica bem
Agora eu estou finalmente acreditando

Porque talvez seja verdade que eu não consiga viver sem você
Talvez dois seja melhor que um
Há tanto tempo para descobrir o resto da minha vida
E você já me fez ficar sem graça
E estou pensando que dois é melhor que um

Eu lembro o que você usou no nosso primeiro encontro
Você entrou na minha vida e eu pensei: "Ei"

Porque talvez seja verdade que eu não consiga viver sem você
Talvez dois seja melhor que um
Há tanto tempo para descobrir o resto da minha vida
E você já me fez ficar sem graça
E eu estou pensando eu, eu não posso ficar sem você
Porque dois é melhor que um
Há tanto tempo para de
scobrir o resto da minha vida
Eu vou descobrir a gente se abraçando e dizendo:
"Feito"
Dois é melhor que um
Dois é melhor que um

O que fazer quando estiver ENTEDIADO




1) Você pode criar um blog;
2) Você pode jogar nos aplicativos do Orkut, se você tiver um Orkut, HUAHUA;
3) Pode fazer alguma comida, receitas na internet é o que não faltam;
4) Saia de casa, caminhar um pouco ao ar livre ajuda muito;
5) Vá para um shopping;
6) Pode ir a praia;
7) Leia um livro;
8) Pegue uma máquina e tire fotos de paisagens ou objetos, o que lhe chamar atenção;
9) Escreva algo para uma pessoa ou para você mesmo;
10) Ligue para um amigo e converse um pouco, pode ter certeza que uma simples ligação pode mudar seu dia todo.

sábado, setembro 25

Salvando uma alma - Parte 7

 
Resgate

Resgate ou não, promessas ou mentiras, só corpo ou só alma... o que na verdade nos faz vir aqui. Aqui na terra! Minha missão já foi completa? Não, não foi! Perturbações ainda sondam o interior, o fogo que acabou com meu corpo ainda me queima a alma. Mas como acabar!? Já sei! A agente aprende com quem nos ensina. As trevas que não corriam em me, agora perambulam por meu espírito. E os mistérios ainda escondidos, devo desvendar. Ora, vocês pensam que as aulas acabaram? Acham que irei deixar como estar? Eu quero minha paz de volta.

sábado, setembro 11



tava olhando tua foto quando caí em minhas ideias loucas de menino iludido. eu sou um astronalta, viajando pelo espaço, sinto sua falta, eu quero te ter de volta. por mais que seja a distância da terra entre a lua estarei te olhando e te desejando. quero sentir tua boca na minha. teu olhar puro e profundo. tuas mãos macias. preciso de você agora. agora! e se do meu lado não estiver, não sei por quanto aguentarei, pois só seu corpo quente pode esfriar meu coração congelado.

terça-feira, setembro 7

Salvando uma alma - Parte 6



A casa em chamas

Nunca imaginei que um dia serviria para algo muito importante. Não me apeguei muito para saber por que eles tinham me escolhido. Gostava de ajudar e isso é o que importa. Aventuras e histórias para contar são o que mais gosto de fazer. Pois bem, mais uma para minha coleção.
O dia parecia estar passando muito rápido. Meus amigos fantasmas ficaram o dia todo comigo. Foram me dizendo onde era cada lugar da casa e os cuidados que eu teria de tomar.
17h48min. Subi para me arrumar, já estava chegando o momento em que eu iria me tornar um herói. Nossa! Como eu viajo nessas coisas! Entro no banheiro e tomo meu banho. Termino, me enxugo e vou pegar minha roupa. Tinha que ser algo do tipo Harry Potter com James Bond. Acho que não, em? Ao abrir meu guarda-roupa, me deparei logo com a caixa. Já tinha esquecido até que ela existia, mas, peguei-a e olhei para ver quem tinha a mandado e para quem era.
- Engraçado. Não tem nome, só endereço. Muito estranho.
Abrir, e para minha surpresa não tinha nada além de papel picado.
- Rodrigo, adianta! grita Mily
- Certo, já estou terminando.
 Deixo a caixa no chão e me arrumo depressa. Pego minha mochila e alguns apetrechos como lanterna, pilhas, casaco, biscoito recheado, spray de pimenta e meu mp3. Desço e seguimos a pé para a casa de Mily. Para minha sorte, meus pais tinham ligado mais cedo e falado que iriam chegar umas 9 horas hoje, tinham que fazer uma visita a um velho cliente.
- Chegamos. - diz Job – Agora é com você!
Faço que sim com a cabeça. Nossa, a casa era de arrepiar. Apesar de estar esses anos todos em um lugar não muito longe da cidade, nunca ninguém a reformou. Estava ainda em cinzas. O telhado meio que caído e o jardim acabado. Era grande e me lembrava o modelo de casa dos EUA. Entrei e fui procurar a escada, o que não era muito difícil, já que ficava na sala de entrada. Quando ia pondo meu pé na escada, escuto um grito de agonia. Arrepiei-me e o coração acelerou. Eles continuavam, ecoavam pelos corredores de cima da casa e desciam as escadas de onde eu iria subir. Mas eu sabia que tinha que continuar. Para minha sorte, trouxe meu mp3 na mochila. Coloco os fones de ouvido, “no ouvido” claro, e ponho para tocas as músicas de Link Park no ultimo volume.
- Agora não escuto mais os gritos! Nossa às vezes tenho medo de mim! Rum...
Vou subindo as escadas com menos preocupação. Viro para o corredor à direita onde os pais de Mily estavam. Engraçado, se os pais de Mily não podem sair daqui, porque ela e Job conseguiram? No momento em que terminei de pensar, meu mp3 desliga.
- O que houve? – o pego e bato – Vamos, funcione...
O tempo que ia perdendo com o aparelho, uma sombra se aproximava de mim e eu não estava percebendo. Até que então...
- Quem é você? - perguntei a uma mulher que estava vestida com um vestido branco, parecia um camisolão. Ela não tinha os cabelos e sua face era desagradável de olhar.
- Sou a mãe de Mily e hoje você veio nos salvar!
- Sim, vim salvar vocês. Mas tenho que ser rápido por que...
Nem consegui terminar a frase e um tremor me subiu dos pés a cabeça.
- O que está acontecendo? - perguntei com a voz falhando.
De repente, um fogo se acende na casa. Ela fica em chamas. Do nada.
- Conseguimos salvar nossas almas? pergunta Julio do lado de fora, em frente ao fogaréu.
- Sim. Agora vamos! responde Mily. – Temos que encontrar com nossos pais.
Era noite de lua cheia e o céu estava limpo de nuvens. A luz do luar fez a calma voltar a casa. Mily, Job e seus pais se foram. Abro meus olhos depois de alguns minutos e me deparo em frente a minha casa. Tento entrar, mas não consigo. Meu corpo arde só em pisar na calçada.
- O que está acontecendo? Mily, Job...onde estão vocês? Já foram?
Minhas perguntas me perturbavam. Algumas pessoas que passavam na rua não me viam. Tentei conversar, chamar a atenção e ninguém reparava em mim. Mas espere! Algo de errado em meu quarto. A luz estava acesa.
- Nove horas. - olho em meu relógio. – Pai, mãe, aqui em baixo! grito mas eles não me ouvem.
Depois de segundos, meu quarto explode com um fogo descontrolado. Tão raivoso e forte que iluminava a rua toda.
- Não!- grito e ponho a chorar. – O que está acontecendo? Não entendo! Espere...- as imagens e tudo o que passei com Milena e Julio me veio na mente – Desgraçados, o que vocês fizeram? – ajoelhado, as minhas lágrimas correm em meu rosto, depois de um tempo, o fogo se acalma e chegam algumas pessoas para verem o ocorrido – Já entendi. Compreendo. – como se alguém estivesse me falando algo, pressentir o que deveria fazer agora por diante.

quinta-feira, setembro 2

Caliginoso


Acordo pela manhã, e me deparo com o sol, percebo que a vida não é feita só de trevas. Mas é tão pouca essa senssação. O dia se torna cansativo ao decorrer de minha rotina. Passa o tempo e fico mais velho a cada hora, minuto, segunto. Finjo não estar no meu mundo, mas a verdade é que fico perdido em meus pensamentos. Fraco, calteloso, confuso...loucuramente louco, meu cérebro me deixa atorduado. Nas minhas poesias entro em um labirinto sem saída. A cada curva que sigo, me tomo pelo fracasso de me sentir melhor. Mas como pode o dia nascer lindo e se tornar caliginoso? O que faço de mim com essas perturbações que aflorão em minh'alma, deixando todo ácido contraproducente embaralhar meus pensamentos, sentimentos, movimentos...Agora?! Estou perdido, não tenho mais volta. O horizonte ja não é bonito. As flores tembém, não possuem mais cores e meu ar já se tornou poluído.

quarta-feira, setembro 1

Salvando uma alma - Parte 5



 Revelação
Estremecendo calado, minha expressão denunciava o que sentia. Arrependido talvez, de ter feito amizades tão rápido. Mas quem iria imaginar.
- Ta...acho que precisa ser esclarecido algo aqui né? Quem são vocês? Por que se aproximaram de me?
- Acho melhor você se sentar. – me sento ainda com muito medo, não sabia o que fazer, se corria, me escondia, mas talvez, o que eles tenham pra me falar seja algo de muita importância – A história que vou lhe contar, é de como eu e Job viemos lhe proucurar. Nascemos aqui mesmo em Lauro de Freitas. Fizemos parte da primeira turma do colégio Impacto. Era tudo ótimo e tranquilo. Brincávamos no clubinho e perdíamos muitas aulas. Nossas famílias sempre foram muito ligadas –ficava mais claro para mim o porque deles me mostrarem o clubinho, uma maneira de desabafo talvez, me sentia mais calmo ao desenrolar da história, não sabia ao certo o que se passava em minha mente neste momento, mas lá no fundo, tinha algo me dizia para escutar. – Um dia, estávamos em minha casa brincando, nossas mães estavam na cozinha preparando o almoço e nossos pais estavam na sala conversando quando de repente ouso um grito de uma mulher chamando por socorro. Ela estava em pânico, mas só eu e Julio escutávamos. Corremos para o meu quarto de onde aparentemente vinha os gritos, e quando chegamos, encontramos uma caixa. Parecia-me estranha. Guardei-a em meu guarda-roupa e não contamos nada para nossos pais. No dia seguinte, quando chegava da escola com Job, ocorreu um incêndio em minha casa. Meu pai e minha mãe estavam lá dentro. No meu desespero, entrei com Julio, ele se perdeu e acabou carbonizado, já eu...escutei a voz da mulher novamente, mas desta vez era uma risada diabólica. Fui direto ao meu quarto, mas quando cheguei já era tarde demais. Minha mãe tinha perdido todo o seu cabelo lindo e meu pai tinha a cabeça comida pelo fogo. Os pais de Job perderam as mãos e olhos no incêndio em sua casa, que por conhecidencia ou não, tinha sido no mesmo dia mas, uma hora depois do ocorrido em minha casa. Falam que foi escapamento de gás, mas não acredito muito.
Fiquei chocado com o que ouvi e mais ainda por descobrir que estava conversando com fantasmas.
- Então quer dizer que você são almas, certo? – responderam que sim com a cabeça – Mas o que querem de mim? Tipo, não entendo o por que de estarem comigo.
- Simples, - fala Job – Precisamos de sua ajuda para nos libertar o que nos prende nesta terra.
- E o que seria? pergunto
- Precisamos ir a nossas casas e encontrar nossos pais. fala Mily
- Então por que não vão sozinhos? Seria mais fácil e mais rápido.
- Porque não conseguimos entrar lá. Eu e Mily já tentamos uma vez e quando chegamos enfrente a casa de um de nós dois sentimos nosso corpo queimar.
- Então vocês querem que eu entre lá sozinho e chame seus pais?
- Sim, isso mesmo. fala Job.
- Mas tem algo de que precisa saber. – diz Mily – Existe uma energia que prende as almas aqui na terra. Não existe só eu e Job com a mesma história. Há algo de errado naquele colégio. Todos os nossos colegas morreram, menos um. Se você nos ajudar seremos gratos, mas estará pondo em risco sua vida. Você está disposto a nos salvar?
- Sim, sim.
Não pensei duas vezes em dar minha resposta. Tinha me apegado muito em pouco tempo. Mas se não estiver pronto para agüentar a carga que terei de carregar, talvez... para sempre? Não quero e não da para voltar atrás.
Terminamos a noite discutindo como seria amanhã. Eu tinha que ir as 19h para a casa de Mily e tinha 50 minutos para encontrar o quarto dela e falar com seus pais, depois ir a casa de Job e encontrar seus pais até 30 minutos, já que o incêndio não durou mais que isto. Eles me contaram que era pra eu ter muito cuidado, pois ainda se ouvia os gemidos e risos diabólicos. É, e para minha sorte amanhã é sábado.

sábado, agosto 28

Salvando uma alma - Parte 4





No dia em que fiz 16 anos

Não dá nem para acreditar. Dois dias se passaram muito rápido e hoje é o dia em que meus novos amigos vão dormir aqui. Me arrumo e desço para o café da manhã.
- Bom dia família! - falei
- Bom dia, filho. Feliz aniversário! - diz meu pai
- Parabéns, meu filho. Já convidou seus colegas?
- Já sim, mãe. Eles vão dormir aqui em casa hoje, viu?
- Claro. Ótima idéia. Eu e seu pai vamos que ter ir a um jantar do escritório em Salvador. Vamos dormir por lá hoje, então, fique comportado com seus amigos viu? Nada de bagunça.
- Tá mãe, pode deixar.
Eu estava feliz. Queria poder apresentar meus amigos para eles, mas oportunidades não faltaram.
Ao chegar à escola, fui direto para sala. Não avistei Job e nem Mily. Achei meio estranho, mas tudo bem. Sabia que eles iriam aparecer. Passaram-se os quatro horários e nenhum dos dois deu sinal de vida. Fiquei preocupado. Não tinha o número do celular deles então, quando um garoto de minha sala passou em minha frente para sair dela, perguntei:
- Oi, você viu Milena e Julio?
- Desculpe, mas... eles estudam conosco?
- Sim, sim. Milena é loira do cabelo liso, magra, branca e anda com um menino chamado Julio, ele é moreno, um pouco forte...
- Olha – me interrompe o garoto – não conheço nenhum desses dois, será que você não está errando de sala?
Parei um pouco para pensar. Como será possível, talvez este menino não tenha vindo aos quatro primeiros dias de aula. Mas enfim, fui buscar mais informações na coordenação. Quando cheguei, perguntei a coordenadora Cibelle se ela saberia dizer o porquê dos meus amigos não virem hoje. Ela procurou em suas fichas eletrônicas e disse que eles haviam pedido uma transferência. Transferência? Mas nem me falaram nada. Pedi informações do colégio para onde eles iriam, mas ela disse que estava muito ocupada para pesquisar naquele momento e que eu poderia deixar o meu número de celular que ela ligaria. Saí da sala preocupadíssimo. Não queria que eles fossem embora da escola, gostava muito de suas companhias e ainda tinha meu aniversário às 17h. Será que vão aparecer?
Terminei meu dia de aula desgastado com a notícia triste que recebi, mas mesmo assim, fui para casa, pensando em meus colegas e no bolo de chocolate mais gostoso do mundo. Tá, eu acho que não contei da parte que sou FACINADO POR BOLO DE CHOCOLATE. Cheguei da escola já eram dezesseis horas e quarenta minutos. Tomei meu banho rápido na esperança de ainda rever Mily e Job. Quando saio do banho, me olho no espelho. Fico muito tempo me encarando. Nossa, eu sou gato demais! É, não precisa me dizer nada, eu sei que sou convencido, até demais.
- Opa...espere, espere! Acho que avistei alguma coisa aqui, – estava com o braço direito suspenso para o espelho – é grande e fina. Ah...um fio de cabelo. Muito obrigado meu Deus, eu tenho cabelo em meu sovaco. Muito obrigado, é o melhor presente que já recebi.
Tá, eu entendo. Uma pessoa normal não ficaria tão feliz como eu, mas poxa, eu esperei 16 anos da minha vida por este momento, então, continue lendo esta história.
Terminei de me arrumar e descer. 17h10min. Ficava cada vez mais ansioso pela presença deles. Tomara que venham. Toca a campainha. Olho no olho mágico e para minha surpresa Job e Milena.
- Que bom que vocês vieram. - falo e cumprimento os dois. – Eu soube que pediram transferência da escola, né? Por quê?
- Bem, – fala Mily – Na verdade...
- Ah... minha mãe fez um bolo de chocolate.- interrompo - Vamos comer!
Na minha imensa alegria, não deixei Milena completar a frase.
Chegamos na cozinha e coloquei o bolo sobre a mesa. Cantamos parabéns e fiz meu desejo. Quero nunca ter que mudar de cidade. Distribuir uma fatia para cada.
- Rodrigo, na verdade viemos aqui para...
Neste momento, meu celular que estava no sofá da sala toca e interrompe Job.
- Licença aqui gente! – saiu em direção ao sofá, atendo ao telefonema.
- Oi, quem fala?
- Aqui em Cibele. A informação que você pediu dos garotos já tenho.
- Ah... bem lembrado. Eu já tinha esquecido. Eles estão comigo agora. Acho que não vai ser mais necessário.
- Eles estão com você?
- Sim, estão!
- Mas o que consta aqui na fixa, é que Júlio Bastos pediu uma transferência na década de 70 e Milena Carvalho fazia parte da mesma turma, a primeira do colégio. Será que você não está enganado?
O silêncio e o medo me tomaram por inteiro. A coordenadora ainda falava no celular, mas fiquei mudo, sem reação. Quando olho para trás, Milena e Julio estavam em pé a cinco centímetros de distância de mim. Eles me olhavam fundo. Havia algo a ser revelado nesta noite.

quinta-feira, agosto 26

Flores - Banda Eva

Já me feri
No espinho daquela flor
Já lhe dei beijos
Que marcaram nosso amor
Queria ser Romeu e Julieta
No passado
Um sonho épico
Que eleva o ser amado, meu bem
Lhe dei amores
Venci rumores
Dessa moçada careta
Que não quer saber de amar, porém
Me dê amores
Venci rumores
Dessa moçada careta
Que não quer saber de amar, porém
Nunca amei ninguém
Mas você é quem
Eu que ando criando em meus sonhos
Castelos de areia
Nunca amei ninguém
Mas você é quem
Me afogava no mar
Da ilusão
Sou sua sereia
Já lhe dei flores,flores,flores
Que brotaram em meu jardim
Você brincou de bem-me-quer
Mal quer saber de mim

domingo, agosto 22

Salvando uma alma - Parte 3



Clubinho

Arrumei-me, tomei meu café e fui para o carro. Minha mãe, como sempre, estava a minha espera.
Ao chegar na escola, me deparei com Mily e um amigo.
- Digo, este é meu amigo Julio Bastos, mas pode chamá-lo de Job. - disse ela
- Oi, tudo bem? - perguntou o menino que parecia ter uns 16 anos.
- Tudo bem!
Algo me parecia estranho, muito estranho. Não lembrava de ter dito a Mily o meu apelido. Mas enfim, seguimos conversando sobre a vida até a chegada na sala.
Soa o sinal da primeira aula. Estamos sentados um atrás do outro, eu, Milena e Job respectivamente. Aula de biologia. Nossa! Falar em plantas uma hora dessa da manhã ninguém merece. Acabei pegando no sono os dois horários consecutivos da matéria. Em seguida, seria matemática, mas o professor teve uns contra tempos e não pode comparecer, ou seja, terceiro e quarto horário vagos. Melhor que estar com Mily era não assistir aula de matemática e estar com Mily. Acho que acabei me apegando muito a ela! Como é costume, o auxiliar da coordenação do ensino médio fecha a porta da nossa sala e nós ficamos no pátio ou em qualquer outro lugar.
- Vamos ficar nos bancos perto do bloco do ensino fundamental? - pergunta Milena.
- Pode ser! - afirmo.
Job faz que sim com a cabeça e seguimos em frente. Quando chegamos, sentamos no banco e começamos a conversar sobre o nosso dia-a-dia e o mais engraçado era que Mily estava meio preocupada. Descobri que eles tinham perdido o pai e a mãe em um acidente. Pelo que me contaram, foi um incêndio. Mas não sabiam a causa de tal ocorrido e não me falaram onde foi o local. Eu também não perguntei, sabia que não era conveniente de minha parte fazer uma pergunta dessas. Senti-me apertado por dentro. Coloquei-me em seus lugares e não saberia o que seria de minha vida sem meus pais. De repente, passaram duas meninas e olharam para mim como se talvez estivessem me achando lindo. Será que me acharam atraente? Estou com a bola toda!  Espero não estar enganado.
- Digo...você mora com seus pais? - pergunta minha amiga.
- Sim.
- Sorte sua não sentir a dor da perda. - fala meu novo colega.
- É, eu sei que não é fácil não termos conosco pessoas que amamos e as únicas que nos amam.
Paro um pouco e penso. Acho que eles não precisavam dessas minhas palavras. Mas tudo bem, já disse. Eles não pareciam tão ligados ao que eu disse, mas a expressão de preocupação no rosto de Milena ainda continuava.
- Mily, está acontecendo algo com você? - perguntei.
- Comigo? Bem... sabe quando a gente cansa de viver e pede para morrer? Quando sabemos que a vida não é nada comparado ao que realmente existe e sentimos a necessidade de ser feliz custe o que custar. E sabemos que para seguir nossos caminhos é preciso mover uma enorme pedra, tão grande que perdemos sua metragem. É isso o que está acontecendo comigo.
Julio abaixa a cabeça como se estivesse passando pela mesma coisa, aliás, ele está. Perderam seus melhores amigos e hoje estão sós. Não tenho palavras para consolá-los. Passam-se alguns minutos silenciosos e Job me chama para mostrar-me algo. Mily nos acompanha e caminhamos para trás da quadra, um lugarzinho meio que abandonado.
- Está vendo este lugar? – ele aponta para uma porta velha. Ai dentro já fui um clubinho de crianças, mas fecharam por que algumas delas se escondiam para perderem aula. Espertas elas, né? – solta um sorrisinho.
- Sempre tive vontade de participar ou ter um clubinho, mas infelizmente isso nunca foi realizado. - eu disse.
Fiquei imaginando como seria ter minha vontade realizada agora... bem, acho que não seria uma idéia madura. Pareço esquecer que tenho 15 anos.
- Daqui a dois dias será meu aniversário. Minha mãe sempre faz um bolo e diz que posso chamar alguns colegas. Que tal se vocês fossem para meu aniversário e aproveito para apresentá-los aos meus pais? - pergunto.
- Pode ser! - fala Mily.
- Vai ser que horas? - pergunta Job.
- Vai ser as 17h, se quiserem, podem dormir lá em casa.
Como minha mãe não fazia questão de que eu levasse alguém para dormir, achei muito legal a idéia, já que poderia me tornar mais próximos a eles.

sexta-feira, agosto 20

O poeta abandonado

Tento fujir de mim mesmo,
Perseguido por meus inimigos,
Não escondo a raiva,
Desconto em cada conto que escrevo.

E mais que possa dizer,
O poeta abandonado da escadaria não vai viver,
Ele morreu para seus olhos,
Ele não pode respira,
Todo o amor que ele tinha,
Se desfez quando você quis...
Deixa!

Mas haja que houver,
Ele ainda continua a rezar,
Pelo amor que o deixou,
Pelo amor que o deixou.

segunda-feira, agosto 16

Amarga sede



Preso em meus sentimentos, não consigo chegar ao fim do túnel. A luz fraca se encontra, porque as trevas contidas em mim as impedem de brilhar. Sonolento, perambulando pela escuridão da cidade, enfiando-me os espinhos da tristeza, sinto a dor que corre por entre as veias e o fogo do ódio é tão grande que já não dá para guardar. A cada mancha, a cada queimadura, suspiro de prazer. A minha armadura é forte, assim como os meus humildes golpes. Com minha espada, proclamo a fé com tanta cede que me afogo no vinho do cálice derramado. E se tem algo que me alegra, é o temor que sentem ao passo que chego perto. No cemitério cuspo nas lápides dos detestáveis e na dos puros, sento e rezo. Perdido no convencionalismo amoroso infeliz que criei, agradeço por não amar realmente pois o sofrimento gótico que tenho me dá coragem para ser mais forte. Seus risos sarcásticos posso lhe arrancar, sua paz posso tirar. Ah, se você soubesse quem sou! Teria angústia de me ver, iria sentir náuseas só em mentalizar-me. Na minha epiderme de chumbo, tão pesada que só sangue frio agüenta, faço as trevas tremerem de raiva...medo...e obediência. Negra sede negra, irei beber toda a intolerância, sentirei o amargo mel do desprezo. Nos olhos do insolente, arrancarei suas córneas e mastigarei seus globos oculares. O azul celeste de seu olhar, guardarei em minha coleção e tua língua atirarei para suas cobrar irmãs rasgarem como se fosse uma folha inofensiva, tal como o teu medo.

Salvando uma alma - Parte 2



Uma dose de susto

Quando o sinal toca doze e meia, todos saem. Me despeço de Mily e sigo em direção a saída da escola. Pego meu ônibus, para a minha sorte o ponto é bem em frente ao colégio. Sento em uma cadeira e ao percurso, penso no meu dia, o quanto foi proveitoso. Espero que seja assim até o final do ano. Penso nas viagens da escola, no que pode ocorrer. Meu jeito não deixa perceber o que realmente sou, mas quando me acostumar totalmente com a escola, verão que não sou tão quieto quando pareço.
O ônibus para no meu ponto, desço e sigo em direção a minha casa que fica a quatro minutos de distância. Ao chegar, vou logo tomar meu banho e esquentar minha comida. Meus pais não gostam de contratar empregada, pensam que ela vai roubar algo ou então, fuçar as coisas. Esse trabalho de advogado não faz bem a eles, não mesmo. Hoje é macarronada e para variar, minha mãe quem a fez. Tem mãos de fada. Ao terminar, vou lavar os pratos. Ao som da água da torneira que cai, escuto um barulho de alguém batendo na porta. Estranho, não estava esperando ninguém e nem ao menos meus pais me falaram que iríamos receber visitas. Mas de qualquer forma fui verificar. Olhei no olho mágico e não tinha ninguém. Abri a porta pensando que tinham tocado e saíram correndo, mas antes que eu podesse observar direito, um cara do correio se levanta e me da um baita susto. Narigudo, cheio de verrugas no rosto. Parecia mais uma bruxa. Entrega-me uma caixa dizendo que este pacote tinha cinco anos para ser entregue nesta casa, mas toda vez que alguém vinha, o pacote aparecia na agência na parte de esquecidos. Então esperaram cinco anos para entregarem. Meio estranho não? Mesmo assim aceitei. O cara nem queria saber se eu era o dono do pacote ou não. Me deu e foi logo saindo. Bati a porta e deixei a caixa na mesa. Nem me importei muito. Continuei a lavar os pratos sem nenhuma preocupação com o que continha lá dentro.
Quando terminei o meu serviço, decidi estudar os assuntos que foram passados, mas quando fui subindo as escadas para meu quarto, a caixa que tinha posto encima da mesa não encontrava mais. Parei para pensar se realmente eu a coloquei lá. Mal eu comecei meus estudos e já estou com minha mente cansada, pensei. Ao chegar em meu quarto, o pacote se encontrava em minha cama. Estranho? Muito. Fingi que não era nada e coloquei-o embaixo dela.
Estudando filosofia, demorei um tempo a perceber que havia algo errado. Uma sensação diferente me cercava em minha mesa de estudos. Engraçado, nunca tinha sentido nada igual. Ao tempo que eu ia lendo ficava mais evidente que não tinha algo certo. Meu braço se arrepiou. Fiquei preocupado. Parei de estudar e desci para a sala assistir algo na tv.
Fiquei alguns minutos pensando no que ocorrera, e ao tempo foi passando, acabei esquecendo.
Meus pais chegam em casa. São exatamente sei horas e vinte e três minutos.
- Pai, – falei – chegou uma caixa do correio dizendo que era para ser entregue aqui, mas nunca conseguiram.
- Uma caixa? - interrogou meu pai.
- Sim.
Minha mãe ficou assustada.
- Você recebeu? - perguntou ela
- Recebi. Vou pegá-la para você verem.
Quando cheguei no meu quarto e me abaixei para pegar o pacote, ele não se encontrava mais lá. Agora começo a ficar assustado, pensei. Subiu-me um arrepio e desci correndo dizendo para meus pais que na verdade não o tinha recebido. Que eu me enganei ao falar. Eles compreenderam e foram para seu quarto.
Fui dormir mais cedo, para tentar esquecer esta história. Parecia mais um filme de terror. Para ser mais sincero, eu gostava de sentir isto. Era como ser um ator em um episódio muito preocupante, onde o mocinho tenta desvendar os mistérios de um lugar assombrado por uma alma que quer comer o cérebro de todos e que...Espera aí! Alma comedora de cérebros?Acho melhor parar. Minha imaginação é muito fértil.
No dia seguinte, acordo sem pensar no que se passou e ao mesmo tempo em que levanto, acabo batendo meu calcanhar em algo que de início me pareceu estranho. Quando parei para examinar do que se tratava, tomei uma mega susto. Era a caixa. Mas como ela foi parar aí? Ela não estava ontem! Eu sabia que a tinha colocado debaixo de minha cama, mas não estava lá quando fui pegá-la. Resolvi então, colocá-la em meu guarda roupa.

Salvando uma alma - Parte 1


Nova Cidade

Não é fácil achar a felicidade, muito menos, quando as coisas não facilitam. Esperar sentado também não é uma boa idéia, mas a demora talvez faça uma pessoa não mais parecer como seja, ou quem sabe, ela tenha que mudar. Resgate? Quem acredita? Promessas? Quem as fez? Somos corpo e alma? Tantos segredos, tantos mistérios, muita coisa a desvendar.
Meu nome é Rodrigo Oliveira, tenho 15 anos e nasci na Bahia, numa cidadezinha a quatro horas de Salvador. Minha mãe se chama Cândida Oliveira e meu pai Roger Oliveira. Bem, sou filho único. Somos forçados a quase todo ano ter que mudar de cidade, geralmente de dois em dois anos. Já morei em Vitória da Conquista, Juazeiro, Feira de Santana, Santo Antônio de Jesus, Itabuna, Mutuípe - minha cidade natal - e agora, Lauro de Freitas. Não consegui me acostumar com esta vida. Ter que não se apegar as pessoas e fazer sempre o mesmo sacrifício de conquistar novas amizades. Não sou do tipo de garoto que se solta de início, para ser mais exato, sou tímido.
Moramos em uma pequena casa no bairro de Villas do Atlântico. Dois quartos, um banheiro, uma sala, uma cozinha e uma varanda, talvez seja a menor casa que já morei. Meus pais não têm tempo de fazer amizades, estão quase sempre trabalhando. Eles trabalham em um escritório de advocacia, possuem clientes em quase metade da Bahia. Costumam pegar casos grandes que duram sete meses, um ano, quinze meses. Acho que ficou claro por que mudo tanto de cidade. Só não morei em mais lugares pelo fato de ter nascido muito tarde.
Hoje é meu primeiro dia de aula. Terceira série do ensino médio. Minha expectativa é sempre a mesma, me chamarem de emo ou serem legais comigo. Acho que não entendo o porquê de ser chamado de emo! Só por ficar em meu canto sozinho, sem falar com quase ninguém, não ter amizades e prestar atenção nas aulas, não significa que eu seja. Legais? Bem, quase nunca. Mas algo me deixa confiante. Pela primeira vez, não me sinto mal por estar em uma cidade até então desconhecida para mim.
Seis e meia, hora de acordar e me arrumar. Tomo meu café matinal com leite e Nescal cereal, meu predileto. Minha mãe me dá pressa, ela sempre acha que vai chegar atrasada ao trabalho. Como rapidamente, pego minha mochila e vou para o carro. Sete e vinte chego na escola. Impacto é seu nome. Entro calado pelos corredores de parede metade piso branco e metade pintada de branco. Passo pelo pátio e sigo em direção a sala. Ao abrir a porta, sou logo intimado por uma menina que me parecia muito legal.
- Oi novato, qual é seu nome? - disse ela
- Oi, sou Rodrigo.
- Meu nome é Milena Carvalho, mas pode me chamar de Mily.
Ela pega na minha mão e, antes que eu pudesse dizer meu apelido, entram mais 5 pessoas que vêm em minha direção me conhecer. Falo aquele cumprimento para todos.
Minha turma tem 27 alunos. Agradeço por ser tão pouca. Não gosto de salas cheias, já que sempre existe aquele grupinho da bagunça e quanto mais alunos, mais o grupinho é grande.
Sete e meia. Primeiro horário. Aula de redação, a minha favorita. A professora se apresenta e pede para que os demais o façam. Bem, não foi só ela que pediu. Os outros 11 professores fizeram o mesmo. Para a minha sorte, não tinha motivos, até então, de estar nervoso ou algo parecido, tinha uns meninos meio loucos, mas isso faz parte. O que seria deste mundo nada correto, sem a felicidade dos malucos?
Dez horas e quarenta minutos. Intervalo. Para a minha surpresa, Milena passa os 20 minutos que temos, juntos a mim. Pergunta de onde sou, quem são meus pais, qual bairro moro, se eu estou gostando da escola...todas aquelas perguntas. Sinto-me menos solitário que de costume. Onze horas. Nossa, vinte minutos passaram-se tão rápido. Fomos assistir as duas ultimas aulas e, para variar, a matéria que detesto: física. Fico sentado em minha cadeira, rezando pela hora de ir embora.