sábado, agosto 28

Salvando uma alma - Parte 4





No dia em que fiz 16 anos

Não dá nem para acreditar. Dois dias se passaram muito rápido e hoje é o dia em que meus novos amigos vão dormir aqui. Me arrumo e desço para o café da manhã.
- Bom dia família! - falei
- Bom dia, filho. Feliz aniversário! - diz meu pai
- Parabéns, meu filho. Já convidou seus colegas?
- Já sim, mãe. Eles vão dormir aqui em casa hoje, viu?
- Claro. Ótima idéia. Eu e seu pai vamos que ter ir a um jantar do escritório em Salvador. Vamos dormir por lá hoje, então, fique comportado com seus amigos viu? Nada de bagunça.
- Tá mãe, pode deixar.
Eu estava feliz. Queria poder apresentar meus amigos para eles, mas oportunidades não faltaram.
Ao chegar à escola, fui direto para sala. Não avistei Job e nem Mily. Achei meio estranho, mas tudo bem. Sabia que eles iriam aparecer. Passaram-se os quatro horários e nenhum dos dois deu sinal de vida. Fiquei preocupado. Não tinha o número do celular deles então, quando um garoto de minha sala passou em minha frente para sair dela, perguntei:
- Oi, você viu Milena e Julio?
- Desculpe, mas... eles estudam conosco?
- Sim, sim. Milena é loira do cabelo liso, magra, branca e anda com um menino chamado Julio, ele é moreno, um pouco forte...
- Olha – me interrompe o garoto – não conheço nenhum desses dois, será que você não está errando de sala?
Parei um pouco para pensar. Como será possível, talvez este menino não tenha vindo aos quatro primeiros dias de aula. Mas enfim, fui buscar mais informações na coordenação. Quando cheguei, perguntei a coordenadora Cibelle se ela saberia dizer o porquê dos meus amigos não virem hoje. Ela procurou em suas fichas eletrônicas e disse que eles haviam pedido uma transferência. Transferência? Mas nem me falaram nada. Pedi informações do colégio para onde eles iriam, mas ela disse que estava muito ocupada para pesquisar naquele momento e que eu poderia deixar o meu número de celular que ela ligaria. Saí da sala preocupadíssimo. Não queria que eles fossem embora da escola, gostava muito de suas companhias e ainda tinha meu aniversário às 17h. Será que vão aparecer?
Terminei meu dia de aula desgastado com a notícia triste que recebi, mas mesmo assim, fui para casa, pensando em meus colegas e no bolo de chocolate mais gostoso do mundo. Tá, eu acho que não contei da parte que sou FACINADO POR BOLO DE CHOCOLATE. Cheguei da escola já eram dezesseis horas e quarenta minutos. Tomei meu banho rápido na esperança de ainda rever Mily e Job. Quando saio do banho, me olho no espelho. Fico muito tempo me encarando. Nossa, eu sou gato demais! É, não precisa me dizer nada, eu sei que sou convencido, até demais.
- Opa...espere, espere! Acho que avistei alguma coisa aqui, – estava com o braço direito suspenso para o espelho – é grande e fina. Ah...um fio de cabelo. Muito obrigado meu Deus, eu tenho cabelo em meu sovaco. Muito obrigado, é o melhor presente que já recebi.
Tá, eu entendo. Uma pessoa normal não ficaria tão feliz como eu, mas poxa, eu esperei 16 anos da minha vida por este momento, então, continue lendo esta história.
Terminei de me arrumar e descer. 17h10min. Ficava cada vez mais ansioso pela presença deles. Tomara que venham. Toca a campainha. Olho no olho mágico e para minha surpresa Job e Milena.
- Que bom que vocês vieram. - falo e cumprimento os dois. – Eu soube que pediram transferência da escola, né? Por quê?
- Bem, – fala Mily – Na verdade...
- Ah... minha mãe fez um bolo de chocolate.- interrompo - Vamos comer!
Na minha imensa alegria, não deixei Milena completar a frase.
Chegamos na cozinha e coloquei o bolo sobre a mesa. Cantamos parabéns e fiz meu desejo. Quero nunca ter que mudar de cidade. Distribuir uma fatia para cada.
- Rodrigo, na verdade viemos aqui para...
Neste momento, meu celular que estava no sofá da sala toca e interrompe Job.
- Licença aqui gente! – saiu em direção ao sofá, atendo ao telefonema.
- Oi, quem fala?
- Aqui em Cibele. A informação que você pediu dos garotos já tenho.
- Ah... bem lembrado. Eu já tinha esquecido. Eles estão comigo agora. Acho que não vai ser mais necessário.
- Eles estão com você?
- Sim, estão!
- Mas o que consta aqui na fixa, é que Júlio Bastos pediu uma transferência na década de 70 e Milena Carvalho fazia parte da mesma turma, a primeira do colégio. Será que você não está enganado?
O silêncio e o medo me tomaram por inteiro. A coordenadora ainda falava no celular, mas fiquei mudo, sem reação. Quando olho para trás, Milena e Julio estavam em pé a cinco centímetros de distância de mim. Eles me olhavam fundo. Havia algo a ser revelado nesta noite.

quinta-feira, agosto 26

Flores - Banda Eva

Já me feri
No espinho daquela flor
Já lhe dei beijos
Que marcaram nosso amor
Queria ser Romeu e Julieta
No passado
Um sonho épico
Que eleva o ser amado, meu bem
Lhe dei amores
Venci rumores
Dessa moçada careta
Que não quer saber de amar, porém
Me dê amores
Venci rumores
Dessa moçada careta
Que não quer saber de amar, porém
Nunca amei ninguém
Mas você é quem
Eu que ando criando em meus sonhos
Castelos de areia
Nunca amei ninguém
Mas você é quem
Me afogava no mar
Da ilusão
Sou sua sereia
Já lhe dei flores,flores,flores
Que brotaram em meu jardim
Você brincou de bem-me-quer
Mal quer saber de mim

domingo, agosto 22

Salvando uma alma - Parte 3



Clubinho

Arrumei-me, tomei meu café e fui para o carro. Minha mãe, como sempre, estava a minha espera.
Ao chegar na escola, me deparei com Mily e um amigo.
- Digo, este é meu amigo Julio Bastos, mas pode chamá-lo de Job. - disse ela
- Oi, tudo bem? - perguntou o menino que parecia ter uns 16 anos.
- Tudo bem!
Algo me parecia estranho, muito estranho. Não lembrava de ter dito a Mily o meu apelido. Mas enfim, seguimos conversando sobre a vida até a chegada na sala.
Soa o sinal da primeira aula. Estamos sentados um atrás do outro, eu, Milena e Job respectivamente. Aula de biologia. Nossa! Falar em plantas uma hora dessa da manhã ninguém merece. Acabei pegando no sono os dois horários consecutivos da matéria. Em seguida, seria matemática, mas o professor teve uns contra tempos e não pode comparecer, ou seja, terceiro e quarto horário vagos. Melhor que estar com Mily era não assistir aula de matemática e estar com Mily. Acho que acabei me apegando muito a ela! Como é costume, o auxiliar da coordenação do ensino médio fecha a porta da nossa sala e nós ficamos no pátio ou em qualquer outro lugar.
- Vamos ficar nos bancos perto do bloco do ensino fundamental? - pergunta Milena.
- Pode ser! - afirmo.
Job faz que sim com a cabeça e seguimos em frente. Quando chegamos, sentamos no banco e começamos a conversar sobre o nosso dia-a-dia e o mais engraçado era que Mily estava meio preocupada. Descobri que eles tinham perdido o pai e a mãe em um acidente. Pelo que me contaram, foi um incêndio. Mas não sabiam a causa de tal ocorrido e não me falaram onde foi o local. Eu também não perguntei, sabia que não era conveniente de minha parte fazer uma pergunta dessas. Senti-me apertado por dentro. Coloquei-me em seus lugares e não saberia o que seria de minha vida sem meus pais. De repente, passaram duas meninas e olharam para mim como se talvez estivessem me achando lindo. Será que me acharam atraente? Estou com a bola toda!  Espero não estar enganado.
- Digo...você mora com seus pais? - pergunta minha amiga.
- Sim.
- Sorte sua não sentir a dor da perda. - fala meu novo colega.
- É, eu sei que não é fácil não termos conosco pessoas que amamos e as únicas que nos amam.
Paro um pouco e penso. Acho que eles não precisavam dessas minhas palavras. Mas tudo bem, já disse. Eles não pareciam tão ligados ao que eu disse, mas a expressão de preocupação no rosto de Milena ainda continuava.
- Mily, está acontecendo algo com você? - perguntei.
- Comigo? Bem... sabe quando a gente cansa de viver e pede para morrer? Quando sabemos que a vida não é nada comparado ao que realmente existe e sentimos a necessidade de ser feliz custe o que custar. E sabemos que para seguir nossos caminhos é preciso mover uma enorme pedra, tão grande que perdemos sua metragem. É isso o que está acontecendo comigo.
Julio abaixa a cabeça como se estivesse passando pela mesma coisa, aliás, ele está. Perderam seus melhores amigos e hoje estão sós. Não tenho palavras para consolá-los. Passam-se alguns minutos silenciosos e Job me chama para mostrar-me algo. Mily nos acompanha e caminhamos para trás da quadra, um lugarzinho meio que abandonado.
- Está vendo este lugar? – ele aponta para uma porta velha. Ai dentro já fui um clubinho de crianças, mas fecharam por que algumas delas se escondiam para perderem aula. Espertas elas, né? – solta um sorrisinho.
- Sempre tive vontade de participar ou ter um clubinho, mas infelizmente isso nunca foi realizado. - eu disse.
Fiquei imaginando como seria ter minha vontade realizada agora... bem, acho que não seria uma idéia madura. Pareço esquecer que tenho 15 anos.
- Daqui a dois dias será meu aniversário. Minha mãe sempre faz um bolo e diz que posso chamar alguns colegas. Que tal se vocês fossem para meu aniversário e aproveito para apresentá-los aos meus pais? - pergunto.
- Pode ser! - fala Mily.
- Vai ser que horas? - pergunta Job.
- Vai ser as 17h, se quiserem, podem dormir lá em casa.
Como minha mãe não fazia questão de que eu levasse alguém para dormir, achei muito legal a idéia, já que poderia me tornar mais próximos a eles.

sexta-feira, agosto 20

O poeta abandonado

Tento fujir de mim mesmo,
Perseguido por meus inimigos,
Não escondo a raiva,
Desconto em cada conto que escrevo.

E mais que possa dizer,
O poeta abandonado da escadaria não vai viver,
Ele morreu para seus olhos,
Ele não pode respira,
Todo o amor que ele tinha,
Se desfez quando você quis...
Deixa!

Mas haja que houver,
Ele ainda continua a rezar,
Pelo amor que o deixou,
Pelo amor que o deixou.

segunda-feira, agosto 16

Amarga sede



Preso em meus sentimentos, não consigo chegar ao fim do túnel. A luz fraca se encontra, porque as trevas contidas em mim as impedem de brilhar. Sonolento, perambulando pela escuridão da cidade, enfiando-me os espinhos da tristeza, sinto a dor que corre por entre as veias e o fogo do ódio é tão grande que já não dá para guardar. A cada mancha, a cada queimadura, suspiro de prazer. A minha armadura é forte, assim como os meus humildes golpes. Com minha espada, proclamo a fé com tanta cede que me afogo no vinho do cálice derramado. E se tem algo que me alegra, é o temor que sentem ao passo que chego perto. No cemitério cuspo nas lápides dos detestáveis e na dos puros, sento e rezo. Perdido no convencionalismo amoroso infeliz que criei, agradeço por não amar realmente pois o sofrimento gótico que tenho me dá coragem para ser mais forte. Seus risos sarcásticos posso lhe arrancar, sua paz posso tirar. Ah, se você soubesse quem sou! Teria angústia de me ver, iria sentir náuseas só em mentalizar-me. Na minha epiderme de chumbo, tão pesada que só sangue frio agüenta, faço as trevas tremerem de raiva...medo...e obediência. Negra sede negra, irei beber toda a intolerância, sentirei o amargo mel do desprezo. Nos olhos do insolente, arrancarei suas córneas e mastigarei seus globos oculares. O azul celeste de seu olhar, guardarei em minha coleção e tua língua atirarei para suas cobrar irmãs rasgarem como se fosse uma folha inofensiva, tal como o teu medo.

Salvando uma alma - Parte 2



Uma dose de susto

Quando o sinal toca doze e meia, todos saem. Me despeço de Mily e sigo em direção a saída da escola. Pego meu ônibus, para a minha sorte o ponto é bem em frente ao colégio. Sento em uma cadeira e ao percurso, penso no meu dia, o quanto foi proveitoso. Espero que seja assim até o final do ano. Penso nas viagens da escola, no que pode ocorrer. Meu jeito não deixa perceber o que realmente sou, mas quando me acostumar totalmente com a escola, verão que não sou tão quieto quando pareço.
O ônibus para no meu ponto, desço e sigo em direção a minha casa que fica a quatro minutos de distância. Ao chegar, vou logo tomar meu banho e esquentar minha comida. Meus pais não gostam de contratar empregada, pensam que ela vai roubar algo ou então, fuçar as coisas. Esse trabalho de advogado não faz bem a eles, não mesmo. Hoje é macarronada e para variar, minha mãe quem a fez. Tem mãos de fada. Ao terminar, vou lavar os pratos. Ao som da água da torneira que cai, escuto um barulho de alguém batendo na porta. Estranho, não estava esperando ninguém e nem ao menos meus pais me falaram que iríamos receber visitas. Mas de qualquer forma fui verificar. Olhei no olho mágico e não tinha ninguém. Abri a porta pensando que tinham tocado e saíram correndo, mas antes que eu podesse observar direito, um cara do correio se levanta e me da um baita susto. Narigudo, cheio de verrugas no rosto. Parecia mais uma bruxa. Entrega-me uma caixa dizendo que este pacote tinha cinco anos para ser entregue nesta casa, mas toda vez que alguém vinha, o pacote aparecia na agência na parte de esquecidos. Então esperaram cinco anos para entregarem. Meio estranho não? Mesmo assim aceitei. O cara nem queria saber se eu era o dono do pacote ou não. Me deu e foi logo saindo. Bati a porta e deixei a caixa na mesa. Nem me importei muito. Continuei a lavar os pratos sem nenhuma preocupação com o que continha lá dentro.
Quando terminei o meu serviço, decidi estudar os assuntos que foram passados, mas quando fui subindo as escadas para meu quarto, a caixa que tinha posto encima da mesa não encontrava mais. Parei para pensar se realmente eu a coloquei lá. Mal eu comecei meus estudos e já estou com minha mente cansada, pensei. Ao chegar em meu quarto, o pacote se encontrava em minha cama. Estranho? Muito. Fingi que não era nada e coloquei-o embaixo dela.
Estudando filosofia, demorei um tempo a perceber que havia algo errado. Uma sensação diferente me cercava em minha mesa de estudos. Engraçado, nunca tinha sentido nada igual. Ao tempo que eu ia lendo ficava mais evidente que não tinha algo certo. Meu braço se arrepiou. Fiquei preocupado. Parei de estudar e desci para a sala assistir algo na tv.
Fiquei alguns minutos pensando no que ocorrera, e ao tempo foi passando, acabei esquecendo.
Meus pais chegam em casa. São exatamente sei horas e vinte e três minutos.
- Pai, – falei – chegou uma caixa do correio dizendo que era para ser entregue aqui, mas nunca conseguiram.
- Uma caixa? - interrogou meu pai.
- Sim.
Minha mãe ficou assustada.
- Você recebeu? - perguntou ela
- Recebi. Vou pegá-la para você verem.
Quando cheguei no meu quarto e me abaixei para pegar o pacote, ele não se encontrava mais lá. Agora começo a ficar assustado, pensei. Subiu-me um arrepio e desci correndo dizendo para meus pais que na verdade não o tinha recebido. Que eu me enganei ao falar. Eles compreenderam e foram para seu quarto.
Fui dormir mais cedo, para tentar esquecer esta história. Parecia mais um filme de terror. Para ser mais sincero, eu gostava de sentir isto. Era como ser um ator em um episódio muito preocupante, onde o mocinho tenta desvendar os mistérios de um lugar assombrado por uma alma que quer comer o cérebro de todos e que...Espera aí! Alma comedora de cérebros?Acho melhor parar. Minha imaginação é muito fértil.
No dia seguinte, acordo sem pensar no que se passou e ao mesmo tempo em que levanto, acabo batendo meu calcanhar em algo que de início me pareceu estranho. Quando parei para examinar do que se tratava, tomei uma mega susto. Era a caixa. Mas como ela foi parar aí? Ela não estava ontem! Eu sabia que a tinha colocado debaixo de minha cama, mas não estava lá quando fui pegá-la. Resolvi então, colocá-la em meu guarda roupa.

Salvando uma alma - Parte 1


Nova Cidade

Não é fácil achar a felicidade, muito menos, quando as coisas não facilitam. Esperar sentado também não é uma boa idéia, mas a demora talvez faça uma pessoa não mais parecer como seja, ou quem sabe, ela tenha que mudar. Resgate? Quem acredita? Promessas? Quem as fez? Somos corpo e alma? Tantos segredos, tantos mistérios, muita coisa a desvendar.
Meu nome é Rodrigo Oliveira, tenho 15 anos e nasci na Bahia, numa cidadezinha a quatro horas de Salvador. Minha mãe se chama Cândida Oliveira e meu pai Roger Oliveira. Bem, sou filho único. Somos forçados a quase todo ano ter que mudar de cidade, geralmente de dois em dois anos. Já morei em Vitória da Conquista, Juazeiro, Feira de Santana, Santo Antônio de Jesus, Itabuna, Mutuípe - minha cidade natal - e agora, Lauro de Freitas. Não consegui me acostumar com esta vida. Ter que não se apegar as pessoas e fazer sempre o mesmo sacrifício de conquistar novas amizades. Não sou do tipo de garoto que se solta de início, para ser mais exato, sou tímido.
Moramos em uma pequena casa no bairro de Villas do Atlântico. Dois quartos, um banheiro, uma sala, uma cozinha e uma varanda, talvez seja a menor casa que já morei. Meus pais não têm tempo de fazer amizades, estão quase sempre trabalhando. Eles trabalham em um escritório de advocacia, possuem clientes em quase metade da Bahia. Costumam pegar casos grandes que duram sete meses, um ano, quinze meses. Acho que ficou claro por que mudo tanto de cidade. Só não morei em mais lugares pelo fato de ter nascido muito tarde.
Hoje é meu primeiro dia de aula. Terceira série do ensino médio. Minha expectativa é sempre a mesma, me chamarem de emo ou serem legais comigo. Acho que não entendo o porquê de ser chamado de emo! Só por ficar em meu canto sozinho, sem falar com quase ninguém, não ter amizades e prestar atenção nas aulas, não significa que eu seja. Legais? Bem, quase nunca. Mas algo me deixa confiante. Pela primeira vez, não me sinto mal por estar em uma cidade até então desconhecida para mim.
Seis e meia, hora de acordar e me arrumar. Tomo meu café matinal com leite e Nescal cereal, meu predileto. Minha mãe me dá pressa, ela sempre acha que vai chegar atrasada ao trabalho. Como rapidamente, pego minha mochila e vou para o carro. Sete e vinte chego na escola. Impacto é seu nome. Entro calado pelos corredores de parede metade piso branco e metade pintada de branco. Passo pelo pátio e sigo em direção a sala. Ao abrir a porta, sou logo intimado por uma menina que me parecia muito legal.
- Oi novato, qual é seu nome? - disse ela
- Oi, sou Rodrigo.
- Meu nome é Milena Carvalho, mas pode me chamar de Mily.
Ela pega na minha mão e, antes que eu pudesse dizer meu apelido, entram mais 5 pessoas que vêm em minha direção me conhecer. Falo aquele cumprimento para todos.
Minha turma tem 27 alunos. Agradeço por ser tão pouca. Não gosto de salas cheias, já que sempre existe aquele grupinho da bagunça e quanto mais alunos, mais o grupinho é grande.
Sete e meia. Primeiro horário. Aula de redação, a minha favorita. A professora se apresenta e pede para que os demais o façam. Bem, não foi só ela que pediu. Os outros 11 professores fizeram o mesmo. Para a minha sorte, não tinha motivos, até então, de estar nervoso ou algo parecido, tinha uns meninos meio loucos, mas isso faz parte. O que seria deste mundo nada correto, sem a felicidade dos malucos?
Dez horas e quarenta minutos. Intervalo. Para a minha surpresa, Milena passa os 20 minutos que temos, juntos a mim. Pergunta de onde sou, quem são meus pais, qual bairro moro, se eu estou gostando da escola...todas aquelas perguntas. Sinto-me menos solitário que de costume. Onze horas. Nossa, vinte minutos passaram-se tão rápido. Fomos assistir as duas ultimas aulas e, para variar, a matéria que detesto: física. Fico sentado em minha cadeira, rezando pela hora de ir embora.

Poeta solitário



Escrevo para esquecer do mundo. No papel, ponho a obscuridade que me foi dada. Minha mente se acalma e esvazia a cada palavra. O que será do planeta sem a poesia? Aos males do futuro que modifica, vejo se perder a natureza mais bonita e junto consigo as frases do poeta abandonadas.Mas não as deixe sozinha, custa ao dono acha-las, e se toma-las, ouça o que tem a dizer, se são poéticas, o amor tende a viver. Como a música é, soa o som imaculada, do escritor vazio, da sua paixão despedaçada. Ao choro soluçante, engulo os sapos a me impostos, mas os saltos são altos, caiu quase em um poço. O que dizem já não importa, sou um poeta abandonado assim como minhas palavras na realva devastada.


Disperto o meu ser para o mais profundos e escuros sentimentos, onde perco minha fé e derramo meu própio vinho. Tento manter a força , quero ter mais poder, disparo contra a parede que fui preso, as correntes machucam e retiram meus pelos. O ódio é incondicional, uma energia que minha'alma toma como água suja por porcos do inferno. Grito para minhas trevas, pucho as correntes mais uma vez. Meus pulsos fortes sangram ao abraço torturados das presas. A brasa ardente causadora da dor humana, me faz gozar de prazer. Ô brasa amiga, mais uma vez, mais uma vez. Engradado pelo meu silêncio, já não absorvo os ardores do ferro quente do satanás, estou livre e elevado. Meu sorriso tornou-se mais corvenoso, e aos bois pretos, meu mais destestável e duradouro sofrimento.

Linda morena amiga

Ô amiga morena, 
Teu riso brilho colossal,
Faz cadaver levantar
E trevas falecer.

Rico corpo morena, 
Sua pele de ouro espanta o escuro.
Ivejado por mortais
Tua aurora é.


Mais iluminada é tua alegria.
Ofuscar-nos querem agora,
Mas cansam por tentar.

Linda morena amiga,
Mais bela por energia,
Não cansa de amar.

domingo, agosto 15

Um amor eterno

Corro sem saber onde ir, no caminho tenebroso que criei, só eu e eu podemos seguir. Cheios de teias, por mais velho que seja, ainda lembro das secas plantas que o inferno fez questão de queimar. O carvão risca minhas pernas, estraçalha minha roupa. Chão coperto de cadeveres, piso em seus ossos espinhentos, entram em meus pés e a dor difunde meus sentimentos mais perversos. Ao fim da trilha, me vejo em um despinhadeiro de pensamentos grotescos, mas agora já é tarde, olho para trás e vejo o que deixei: um mundo egoísta, cheio de insolentes e pertubados. Talvez minha alma não morra junto com meu corpo. Pulo e com um susto, a queda me faz lembrar do meu amor, grande amor. O que me curava da loucura que me impus e soterrava minha imaginação cavernosa. Os beijos mais quentes e milagrosos que pude ter, fervia meu coração derretendo cada cristal de gelo. O amor de tirar a roupa, de sentir o toque, de transmitir sensações. O amor que não descansa e nem se cansa, o que atura. Um amor enterno.

sexta-feira, agosto 13

Crime

Meu coração tem um sonho antigo
Ter sempre alguém comigo, pertinho de mim
Compartilhar meus segredos, meus medos
Meus sonhos, desejos, tim tim por tim tim
Nos momentos de solidão
Ter alguém para abraçar e me aquecer
Fazer eterno o fogo da paixão
Ter coisas de amor para cantar, para dizer

E se amar você é um crime
Eu aceito a sentença
Porque amar você é um crime
É um crime que compensa
E por amar você ser crime
Talvez eu viva para sempre como fora da lei
Como fora da lei

Mas não vou viver fugindo
Eu me rendo, eu me entrego
Fico presa em teu sorriso
Presa em teu olhar sincero
Deus é meu juiz e esta causa está diante dele

Eu confesso, eu me escondi
Como eu pude te enganar
Eu confesso o meu crime
Mas para Deus nunca foi crime amar

Titãs - Porque eu sei qeu é amor

Água tranquila

Chuva cai, cai chuva e lava minh'alma. Me deita em teus braços frios e úmidos para poder descansar e enxagua meu meu rosto para poder me acalmar. E sem mais sentir o meu tumútuo interior, pairo pela correnteza tranquila que tu me lançastes de uma forma tão serena, que no véu das águas ei de descansar.

Um coração partido

Um coração partido é pior que uma morte. Rasgado pela falta de compaixão, senão pelo amado, senão pelo amor desperdiçado. Fúria de não ter escolhido o certo, mas aprendido que errando se chega a perfeição. Caindo e levantado, sorrindo e chorando. Assim me torno forte. Um coração partido é como uma rosa mucha, não existe mais tanta vida, não possui mais cor, só terá uma mancha negra e um caule desgastado.