segunda-feira, agosto 16

Salvando uma alma - Parte 2



Uma dose de susto

Quando o sinal toca doze e meia, todos saem. Me despeço de Mily e sigo em direção a saída da escola. Pego meu ônibus, para a minha sorte o ponto é bem em frente ao colégio. Sento em uma cadeira e ao percurso, penso no meu dia, o quanto foi proveitoso. Espero que seja assim até o final do ano. Penso nas viagens da escola, no que pode ocorrer. Meu jeito não deixa perceber o que realmente sou, mas quando me acostumar totalmente com a escola, verão que não sou tão quieto quando pareço.
O ônibus para no meu ponto, desço e sigo em direção a minha casa que fica a quatro minutos de distância. Ao chegar, vou logo tomar meu banho e esquentar minha comida. Meus pais não gostam de contratar empregada, pensam que ela vai roubar algo ou então, fuçar as coisas. Esse trabalho de advogado não faz bem a eles, não mesmo. Hoje é macarronada e para variar, minha mãe quem a fez. Tem mãos de fada. Ao terminar, vou lavar os pratos. Ao som da água da torneira que cai, escuto um barulho de alguém batendo na porta. Estranho, não estava esperando ninguém e nem ao menos meus pais me falaram que iríamos receber visitas. Mas de qualquer forma fui verificar. Olhei no olho mágico e não tinha ninguém. Abri a porta pensando que tinham tocado e saíram correndo, mas antes que eu podesse observar direito, um cara do correio se levanta e me da um baita susto. Narigudo, cheio de verrugas no rosto. Parecia mais uma bruxa. Entrega-me uma caixa dizendo que este pacote tinha cinco anos para ser entregue nesta casa, mas toda vez que alguém vinha, o pacote aparecia na agência na parte de esquecidos. Então esperaram cinco anos para entregarem. Meio estranho não? Mesmo assim aceitei. O cara nem queria saber se eu era o dono do pacote ou não. Me deu e foi logo saindo. Bati a porta e deixei a caixa na mesa. Nem me importei muito. Continuei a lavar os pratos sem nenhuma preocupação com o que continha lá dentro.
Quando terminei o meu serviço, decidi estudar os assuntos que foram passados, mas quando fui subindo as escadas para meu quarto, a caixa que tinha posto encima da mesa não encontrava mais. Parei para pensar se realmente eu a coloquei lá. Mal eu comecei meus estudos e já estou com minha mente cansada, pensei. Ao chegar em meu quarto, o pacote se encontrava em minha cama. Estranho? Muito. Fingi que não era nada e coloquei-o embaixo dela.
Estudando filosofia, demorei um tempo a perceber que havia algo errado. Uma sensação diferente me cercava em minha mesa de estudos. Engraçado, nunca tinha sentido nada igual. Ao tempo que eu ia lendo ficava mais evidente que não tinha algo certo. Meu braço se arrepiou. Fiquei preocupado. Parei de estudar e desci para a sala assistir algo na tv.
Fiquei alguns minutos pensando no que ocorrera, e ao tempo foi passando, acabei esquecendo.
Meus pais chegam em casa. São exatamente sei horas e vinte e três minutos.
- Pai, – falei – chegou uma caixa do correio dizendo que era para ser entregue aqui, mas nunca conseguiram.
- Uma caixa? - interrogou meu pai.
- Sim.
Minha mãe ficou assustada.
- Você recebeu? - perguntou ela
- Recebi. Vou pegá-la para você verem.
Quando cheguei no meu quarto e me abaixei para pegar o pacote, ele não se encontrava mais lá. Agora começo a ficar assustado, pensei. Subiu-me um arrepio e desci correndo dizendo para meus pais que na verdade não o tinha recebido. Que eu me enganei ao falar. Eles compreenderam e foram para seu quarto.
Fui dormir mais cedo, para tentar esquecer esta história. Parecia mais um filme de terror. Para ser mais sincero, eu gostava de sentir isto. Era como ser um ator em um episódio muito preocupante, onde o mocinho tenta desvendar os mistérios de um lugar assombrado por uma alma que quer comer o cérebro de todos e que...Espera aí! Alma comedora de cérebros?Acho melhor parar. Minha imaginação é muito fértil.
No dia seguinte, acordo sem pensar no que se passou e ao mesmo tempo em que levanto, acabo batendo meu calcanhar em algo que de início me pareceu estranho. Quando parei para examinar do que se tratava, tomei uma mega susto. Era a caixa. Mas como ela foi parar aí? Ela não estava ontem! Eu sabia que a tinha colocado debaixo de minha cama, mas não estava lá quando fui pegá-la. Resolvi então, colocá-la em meu guarda roupa.

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