A casa em chamas
Nunca imaginei que um dia serviria para algo muito importante. Não me apeguei muito para saber por que eles tinham me escolhido. Gostava de ajudar e isso é o que importa. Aventuras e histórias para contar são o que mais gosto de fazer. Pois bem, mais uma para minha coleção.
O dia parecia estar passando muito rápido. Meus amigos fantasmas ficaram o dia todo comigo. Foram me dizendo onde era cada lugar da casa e os cuidados que eu teria de tomar.
17h48min. Subi para me arrumar, já estava chegando o momento em que eu iria me tornar um herói. Nossa! Como eu viajo nessas coisas! Entro no banheiro e tomo meu banho. Termino, me enxugo e vou pegar minha roupa. Tinha que ser algo do tipo Harry Potter com James Bond. Acho que não, em? Ao abrir meu guarda-roupa, me deparei logo com a caixa. Já tinha esquecido até que ela existia, mas, peguei-a e olhei para ver quem tinha a mandado e para quem era.
- Engraçado. Não tem nome, só endereço. Muito estranho.
Abrir, e para minha surpresa não tinha nada além de papel picado.
- Rodrigo, adianta! grita Mily
- Certo, já estou terminando.
Deixo a caixa no chão e me arrumo depressa. Pego minha mochila e alguns apetrechos como lanterna, pilhas, casaco, biscoito recheado, spray de pimenta e meu mp3. Desço e seguimos a pé para a casa de Mily. Para minha sorte, meus pais tinham ligado mais cedo e falado que iriam chegar umas 9 horas hoje, tinham que fazer uma visita a um velho cliente.
- Chegamos. - diz Job – Agora é com você!
Faço que sim com a cabeça. Nossa, a casa era de arrepiar. Apesar de estar esses anos todos em um lugar não muito longe da cidade, nunca ninguém a reformou. Estava ainda em cinzas. O telhado meio que caído e o jardim acabado. Era grande e me lembrava o modelo de casa dos EUA. Entrei e fui procurar a escada, o que não era muito difícil, já que ficava na sala de entrada. Quando ia pondo meu pé na escada, escuto um grito de agonia. Arrepiei-me e o coração acelerou. Eles continuavam, ecoavam pelos corredores de cima da casa e desciam as escadas de onde eu iria subir. Mas eu sabia que tinha que continuar. Para minha sorte, trouxe meu mp3 na mochila. Coloco os fones de ouvido, “no ouvido” claro, e ponho para tocas as músicas de Link Park no ultimo volume.
- Agora não escuto mais os gritos! Nossa às vezes tenho medo de mim! Rum...
Vou subindo as escadas com menos preocupação. Viro para o corredor à direita onde os pais de Mily estavam. Engraçado, se os pais de Mily não podem sair daqui, porque ela e Job conseguiram? No momento em que terminei de pensar, meu mp3 desliga.
- O que houve? – o pego e bato – Vamos, funcione...
O tempo que ia perdendo com o aparelho, uma sombra se aproximava de mim e eu não estava percebendo. Até que então...
- Quem é você? - perguntei a uma mulher que estava vestida com um vestido branco, parecia um camisolão. Ela não tinha os cabelos e sua face era desagradável de olhar.
- Sou a mãe de Mily e hoje você veio nos salvar!
- Sim, vim salvar vocês. Mas tenho que ser rápido por que...
Nem consegui terminar a frase e um tremor me subiu dos pés a cabeça.
- O que está acontecendo? - perguntei com a voz falhando.
De repente, um fogo se acende na casa. Ela fica em chamas. Do nada.
- Conseguimos salvar nossas almas? pergunta Julio do lado de fora, em frente ao fogaréu.
- Sim. Agora vamos! responde Mily. – Temos que encontrar com nossos pais.
Era noite de lua cheia e o céu estava limpo de nuvens. A luz do luar fez a calma voltar a casa. Mily, Job e seus pais se foram. Abro meus olhos depois de alguns minutos e me deparo em frente a minha casa. Tento entrar, mas não consigo. Meu corpo arde só em pisar na calçada.
- O que está acontecendo? Mily, Job...onde estão vocês? Já foram?
Minhas perguntas me perturbavam. Algumas pessoas que passavam na rua não me viam. Tentei conversar, chamar a atenção e ninguém reparava em mim. Mas espere! Algo de errado em meu quarto. A luz estava acesa.
- Nove horas. - olho em meu relógio. – Pai, mãe, aqui em baixo! grito mas eles não me ouvem.
Depois de segundos, meu quarto explode com um fogo descontrolado. Tão raivoso e forte que iluminava a rua toda.
- Não!- grito e ponho a chorar. – O que está acontecendo? Não entendo! Espere...- as imagens e tudo o que passei com Milena e Julio me veio na mente – Desgraçados, o que vocês fizeram? – ajoelhado, as minhas lágrimas correm em meu rosto, depois de um tempo, o fogo se acalma e chegam algumas pessoas para verem o ocorrido – Já entendi. Compreendo. – como se alguém estivesse me falando algo, pressentir o que deveria fazer agora por diante.

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