Estremecendo calado, minha expressão denunciava o que sentia. Arrependido talvez, de ter feito amizades tão rápido. Mas quem iria imaginar.
- Ta...acho que precisa ser esclarecido algo aqui né? Quem são vocês? Por que se aproximaram de me?
- Acho melhor você se sentar. – me sento ainda com muito medo, não sabia o que fazer, se corria, me escondia, mas talvez, o que eles tenham pra me falar seja algo de muita importância – A história que vou lhe contar, é de como eu e Job viemos lhe proucurar. Nascemos aqui mesmo em Lauro de Freitas. Fizemos parte da primeira turma do colégio Impacto. Era tudo ótimo e tranquilo. Brincávamos no clubinho e perdíamos muitas aulas. Nossas famílias sempre foram muito ligadas –ficava mais claro para mim o porque deles me mostrarem o clubinho, uma maneira de desabafo talvez, me sentia mais calmo ao desenrolar da história, não sabia ao certo o que se passava em minha mente neste momento, mas lá no fundo, tinha algo me dizia para escutar. – Um dia, estávamos em minha casa brincando, nossas mães estavam na cozinha preparando o almoço e nossos pais estavam na sala conversando quando de repente ouso um grito de uma mulher chamando por socorro. Ela estava em pânico, mas só eu e Julio escutávamos. Corremos para o meu quarto de onde aparentemente vinha os gritos, e quando chegamos, encontramos uma caixa. Parecia-me estranha. Guardei-a em meu guarda-roupa e não contamos nada para nossos pais. No dia seguinte, quando chegava da escola com Job, ocorreu um incêndio em minha casa. Meu pai e minha mãe estavam lá dentro. No meu desespero, entrei com Julio, ele se perdeu e acabou carbonizado, já eu...escutei a voz da mulher novamente, mas desta vez era uma risada diabólica. Fui direto ao meu quarto, mas quando cheguei já era tarde demais. Minha mãe tinha perdido todo o seu cabelo lindo e meu pai tinha a cabeça comida pelo fogo. Os pais de Job perderam as mãos e olhos no incêndio em sua casa, que por conhecidencia ou não, tinha sido no mesmo dia mas, uma hora depois do ocorrido em minha casa. Falam que foi escapamento de gás, mas não acredito muito.
Fiquei chocado com o que ouvi e mais ainda por descobrir que estava conversando com fantasmas.
- Então quer dizer que você são almas, certo? – responderam que sim com a cabeça – Mas o que querem de mim? Tipo, não entendo o por que de estarem comigo.
- Simples, - fala Job – Precisamos de sua ajuda para nos libertar o que nos prende nesta terra.
- E o que seria? pergunto
- Precisamos ir a nossas casas e encontrar nossos pais. fala Mily
- Então por que não vão sozinhos? Seria mais fácil e mais rápido.
- Porque não conseguimos entrar lá. Eu e Mily já tentamos uma vez e quando chegamos enfrente a casa de um de nós dois sentimos nosso corpo queimar.
- Então vocês querem que eu entre lá sozinho e chame seus pais?
- Sim, isso mesmo. fala Job.
- Mas tem algo de que precisa saber. – diz Mily – Existe uma energia que prende as almas aqui na terra. Não existe só eu e Job com a mesma história. Há algo de errado naquele colégio. Todos os nossos colegas morreram, menos um. Se você nos ajudar seremos gratos, mas estará pondo em risco sua vida. Você está disposto a nos salvar?
- Sim, sim.
Não pensei duas vezes em dar minha resposta. Tinha me apegado muito em pouco tempo. Mas se não estiver pronto para agüentar a carga que terei de carregar, talvez... para sempre? Não quero e não da para voltar atrás.
Terminamos a noite discutindo como seria amanhã. Eu tinha que ir as 19h para a casa de Mily e tinha 50 minutos para encontrar o quarto dela e falar com seus pais, depois ir a casa de Job e encontrar seus pais até 30 minutos, já que o incêndio não durou mais que isto. Eles me contaram que era pra eu ter muito cuidado, pois ainda se ouvia os gemidos e risos diabólicos. É, e para minha sorte amanhã é sábado.

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