sexta-feira, agosto 20

O poeta abandonado

Tento fujir de mim mesmo,
Perseguido por meus inimigos,
Não escondo a raiva,
Desconto em cada conto que escrevo.

E mais que possa dizer,
O poeta abandonado da escadaria não vai viver,
Ele morreu para seus olhos,
Ele não pode respira,
Todo o amor que ele tinha,
Se desfez quando você quis...
Deixa!

Mas haja que houver,
Ele ainda continua a rezar,
Pelo amor que o deixou,
Pelo amor que o deixou.

segunda-feira, agosto 16

Amarga sede



Preso em meus sentimentos, não consigo chegar ao fim do túnel. A luz fraca se encontra, porque as trevas contidas em mim as impedem de brilhar. Sonolento, perambulando pela escuridão da cidade, enfiando-me os espinhos da tristeza, sinto a dor que corre por entre as veias e o fogo do ódio é tão grande que já não dá para guardar. A cada mancha, a cada queimadura, suspiro de prazer. A minha armadura é forte, assim como os meus humildes golpes. Com minha espada, proclamo a fé com tanta cede que me afogo no vinho do cálice derramado. E se tem algo que me alegra, é o temor que sentem ao passo que chego perto. No cemitério cuspo nas lápides dos detestáveis e na dos puros, sento e rezo. Perdido no convencionalismo amoroso infeliz que criei, agradeço por não amar realmente pois o sofrimento gótico que tenho me dá coragem para ser mais forte. Seus risos sarcásticos posso lhe arrancar, sua paz posso tirar. Ah, se você soubesse quem sou! Teria angústia de me ver, iria sentir náuseas só em mentalizar-me. Na minha epiderme de chumbo, tão pesada que só sangue frio agüenta, faço as trevas tremerem de raiva...medo...e obediência. Negra sede negra, irei beber toda a intolerância, sentirei o amargo mel do desprezo. Nos olhos do insolente, arrancarei suas córneas e mastigarei seus globos oculares. O azul celeste de seu olhar, guardarei em minha coleção e tua língua atirarei para suas cobrar irmãs rasgarem como se fosse uma folha inofensiva, tal como o teu medo.

Salvando uma alma - Parte 2



Uma dose de susto

Quando o sinal toca doze e meia, todos saem. Me despeço de Mily e sigo em direção a saída da escola. Pego meu ônibus, para a minha sorte o ponto é bem em frente ao colégio. Sento em uma cadeira e ao percurso, penso no meu dia, o quanto foi proveitoso. Espero que seja assim até o final do ano. Penso nas viagens da escola, no que pode ocorrer. Meu jeito não deixa perceber o que realmente sou, mas quando me acostumar totalmente com a escola, verão que não sou tão quieto quando pareço.
O ônibus para no meu ponto, desço e sigo em direção a minha casa que fica a quatro minutos de distância. Ao chegar, vou logo tomar meu banho e esquentar minha comida. Meus pais não gostam de contratar empregada, pensam que ela vai roubar algo ou então, fuçar as coisas. Esse trabalho de advogado não faz bem a eles, não mesmo. Hoje é macarronada e para variar, minha mãe quem a fez. Tem mãos de fada. Ao terminar, vou lavar os pratos. Ao som da água da torneira que cai, escuto um barulho de alguém batendo na porta. Estranho, não estava esperando ninguém e nem ao menos meus pais me falaram que iríamos receber visitas. Mas de qualquer forma fui verificar. Olhei no olho mágico e não tinha ninguém. Abri a porta pensando que tinham tocado e saíram correndo, mas antes que eu podesse observar direito, um cara do correio se levanta e me da um baita susto. Narigudo, cheio de verrugas no rosto. Parecia mais uma bruxa. Entrega-me uma caixa dizendo que este pacote tinha cinco anos para ser entregue nesta casa, mas toda vez que alguém vinha, o pacote aparecia na agência na parte de esquecidos. Então esperaram cinco anos para entregarem. Meio estranho não? Mesmo assim aceitei. O cara nem queria saber se eu era o dono do pacote ou não. Me deu e foi logo saindo. Bati a porta e deixei a caixa na mesa. Nem me importei muito. Continuei a lavar os pratos sem nenhuma preocupação com o que continha lá dentro.
Quando terminei o meu serviço, decidi estudar os assuntos que foram passados, mas quando fui subindo as escadas para meu quarto, a caixa que tinha posto encima da mesa não encontrava mais. Parei para pensar se realmente eu a coloquei lá. Mal eu comecei meus estudos e já estou com minha mente cansada, pensei. Ao chegar em meu quarto, o pacote se encontrava em minha cama. Estranho? Muito. Fingi que não era nada e coloquei-o embaixo dela.
Estudando filosofia, demorei um tempo a perceber que havia algo errado. Uma sensação diferente me cercava em minha mesa de estudos. Engraçado, nunca tinha sentido nada igual. Ao tempo que eu ia lendo ficava mais evidente que não tinha algo certo. Meu braço se arrepiou. Fiquei preocupado. Parei de estudar e desci para a sala assistir algo na tv.
Fiquei alguns minutos pensando no que ocorrera, e ao tempo foi passando, acabei esquecendo.
Meus pais chegam em casa. São exatamente sei horas e vinte e três minutos.
- Pai, – falei – chegou uma caixa do correio dizendo que era para ser entregue aqui, mas nunca conseguiram.
- Uma caixa? - interrogou meu pai.
- Sim.
Minha mãe ficou assustada.
- Você recebeu? - perguntou ela
- Recebi. Vou pegá-la para você verem.
Quando cheguei no meu quarto e me abaixei para pegar o pacote, ele não se encontrava mais lá. Agora começo a ficar assustado, pensei. Subiu-me um arrepio e desci correndo dizendo para meus pais que na verdade não o tinha recebido. Que eu me enganei ao falar. Eles compreenderam e foram para seu quarto.
Fui dormir mais cedo, para tentar esquecer esta história. Parecia mais um filme de terror. Para ser mais sincero, eu gostava de sentir isto. Era como ser um ator em um episódio muito preocupante, onde o mocinho tenta desvendar os mistérios de um lugar assombrado por uma alma que quer comer o cérebro de todos e que...Espera aí! Alma comedora de cérebros?Acho melhor parar. Minha imaginação é muito fértil.
No dia seguinte, acordo sem pensar no que se passou e ao mesmo tempo em que levanto, acabo batendo meu calcanhar em algo que de início me pareceu estranho. Quando parei para examinar do que se tratava, tomei uma mega susto. Era a caixa. Mas como ela foi parar aí? Ela não estava ontem! Eu sabia que a tinha colocado debaixo de minha cama, mas não estava lá quando fui pegá-la. Resolvi então, colocá-la em meu guarda roupa.

Salvando uma alma - Parte 1


Nova Cidade

Não é fácil achar a felicidade, muito menos, quando as coisas não facilitam. Esperar sentado também não é uma boa idéia, mas a demora talvez faça uma pessoa não mais parecer como seja, ou quem sabe, ela tenha que mudar. Resgate? Quem acredita? Promessas? Quem as fez? Somos corpo e alma? Tantos segredos, tantos mistérios, muita coisa a desvendar.
Meu nome é Rodrigo Oliveira, tenho 15 anos e nasci na Bahia, numa cidadezinha a quatro horas de Salvador. Minha mãe se chama Cândida Oliveira e meu pai Roger Oliveira. Bem, sou filho único. Somos forçados a quase todo ano ter que mudar de cidade, geralmente de dois em dois anos. Já morei em Vitória da Conquista, Juazeiro, Feira de Santana, Santo Antônio de Jesus, Itabuna, Mutuípe - minha cidade natal - e agora, Lauro de Freitas. Não consegui me acostumar com esta vida. Ter que não se apegar as pessoas e fazer sempre o mesmo sacrifício de conquistar novas amizades. Não sou do tipo de garoto que se solta de início, para ser mais exato, sou tímido.
Moramos em uma pequena casa no bairro de Villas do Atlântico. Dois quartos, um banheiro, uma sala, uma cozinha e uma varanda, talvez seja a menor casa que já morei. Meus pais não têm tempo de fazer amizades, estão quase sempre trabalhando. Eles trabalham em um escritório de advocacia, possuem clientes em quase metade da Bahia. Costumam pegar casos grandes que duram sete meses, um ano, quinze meses. Acho que ficou claro por que mudo tanto de cidade. Só não morei em mais lugares pelo fato de ter nascido muito tarde.
Hoje é meu primeiro dia de aula. Terceira série do ensino médio. Minha expectativa é sempre a mesma, me chamarem de emo ou serem legais comigo. Acho que não entendo o porquê de ser chamado de emo! Só por ficar em meu canto sozinho, sem falar com quase ninguém, não ter amizades e prestar atenção nas aulas, não significa que eu seja. Legais? Bem, quase nunca. Mas algo me deixa confiante. Pela primeira vez, não me sinto mal por estar em uma cidade até então desconhecida para mim.
Seis e meia, hora de acordar e me arrumar. Tomo meu café matinal com leite e Nescal cereal, meu predileto. Minha mãe me dá pressa, ela sempre acha que vai chegar atrasada ao trabalho. Como rapidamente, pego minha mochila e vou para o carro. Sete e vinte chego na escola. Impacto é seu nome. Entro calado pelos corredores de parede metade piso branco e metade pintada de branco. Passo pelo pátio e sigo em direção a sala. Ao abrir a porta, sou logo intimado por uma menina que me parecia muito legal.
- Oi novato, qual é seu nome? - disse ela
- Oi, sou Rodrigo.
- Meu nome é Milena Carvalho, mas pode me chamar de Mily.
Ela pega na minha mão e, antes que eu pudesse dizer meu apelido, entram mais 5 pessoas que vêm em minha direção me conhecer. Falo aquele cumprimento para todos.
Minha turma tem 27 alunos. Agradeço por ser tão pouca. Não gosto de salas cheias, já que sempre existe aquele grupinho da bagunça e quanto mais alunos, mais o grupinho é grande.
Sete e meia. Primeiro horário. Aula de redação, a minha favorita. A professora se apresenta e pede para que os demais o façam. Bem, não foi só ela que pediu. Os outros 11 professores fizeram o mesmo. Para a minha sorte, não tinha motivos, até então, de estar nervoso ou algo parecido, tinha uns meninos meio loucos, mas isso faz parte. O que seria deste mundo nada correto, sem a felicidade dos malucos?
Dez horas e quarenta minutos. Intervalo. Para a minha surpresa, Milena passa os 20 minutos que temos, juntos a mim. Pergunta de onde sou, quem são meus pais, qual bairro moro, se eu estou gostando da escola...todas aquelas perguntas. Sinto-me menos solitário que de costume. Onze horas. Nossa, vinte minutos passaram-se tão rápido. Fomos assistir as duas ultimas aulas e, para variar, a matéria que detesto: física. Fico sentado em minha cadeira, rezando pela hora de ir embora.